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AKS em Produção: decisões arquiteturais que determinam a escalabilidade do cluster

·1040 palavras·5 minutos

Resumo
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Projetar um ambiente Azure Kubernetes Service (AKS) vai muito além da criação de um cluster funcional. Em ambientes corporativos, decisões como escolha de máquinas virtuais, organização de Node Pools, estratégia de escalabilidade, alta disponibilidade e observabilidade determinam diretamente a eficiência, o custo e a capacidade de evolução da plataforma.

Neste artigo, exploramos os principais pontos arquiteturais que influenciam o comportamento de um cluster em produção, utilizando um cenário corporativo realista para demonstrar como decisões tomadas no início do projeto impactam todo o ciclo de vida da plataforma.


Introdução
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O cluster parecia saudável.

CPU disponível, memória dentro do esperado, nenhuma indicação imediata de problema. À primeira vista, tudo funcionava como deveria.

Mesmo assim, algo chamava atenção. À medida que novas aplicações eram implantadas, os custos aumentavam, a complexidade crescia e a solução recorrente para qualquer necessidade de capacidade era sempre a mesma: adicionar mais nós ao cluster.

Com o tempo, ficou claro que o problema não estava na infraestrutura em si, mas na forma como ela havia sido pensada.

Em ambientes de produção, o crescimento de uma plataforma raramente é um problema isolado de capacidade. Ele é, na maioria das vezes, consequência direta de decisões arquiteturais tomadas no início da jornada.


O cluster não começa com az aks create
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Existe uma ideia bastante difundida de que a implantação de um ambiente Kubernetes começa com a criação do cluster. Na prática, essa é apenas uma das últimas etapas do planejamento.

Antes disso, é necessário compreender como as aplicações se comportam, quais restrições corporativas existem, quais padrões de infraestrutura são permitidos e como a plataforma deverá evoluir ao longo do tempo.

Em ambientes corporativos, é comum que parte dessas decisões já esteja condicionada por políticas internas. Famílias de máquinas virtuais homologadas, padrões de rede, requisitos de segurança e diretrizes de governança fazem parte da realidade de muitas organizações.

Projetar um ambiente AKS não consiste em escolher livremente todas as opções disponíveis na plataforma, mas em encontrar a melhor arquitetura possível dentro das restrições existentes.


Conheça o comportamento das suas aplicações
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Uma das decisões mais importantes do projeto acontece antes da infraestrutura: entender como as aplicações consomem recursos.

Cada workload possui um comportamento diferente. Alguns consomem CPU de forma intensa e intermitente. Outros mantêm consumo constante de memória. Outros ainda apresentam padrões híbridos.

Sem essa visibilidade, qualquer decisão de infraestrutura se torna uma suposição.

Em muitos ambientes corporativos, observa-se predominância de consumo de memória em aplicações internas, especialmente APIs e serviços de integração.

Esse tipo de comportamento impacta diretamente o dimensionamento da infraestrutura e a organização dos recursos do cluster.


Escolhendo a infraestrutura: quando a melhor opção nem sempre está disponível
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Depois de compreender o comportamento das aplicações, o próximo passo é a escolha da infraestrutura.

Em ambientes corporativos, essa escolha raramente é totalmente livre. Catálogos de produtos homologados, requisitos de segurança, governança e disponibilidade regional influenciam diretamente quais máquinas virtuais podem ser utilizadas.

Além disso, diferentes famílias de máquinas virtuais atendem perfis distintos de carga. Algumas são otimizadas para memória, outras para processamento, outras para armazenamento ou cenários especializados.

A escolha da infraestrutura deve equilibrar comportamento das aplicações e restrições organizacionais.


Node Pools: organizando a plataforma para crescer
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Separar workloads em Node Pools não é apenas uma decisão técnica. É uma forma de organizar a evolução da plataforma.

Ambientes que utilizam um único pool tendem a misturar aplicações com perfis diferentes de consumo, dificultando escalabilidade, manutenção e previsibilidade.

Ao separar Node Pools por tipo de workload, a plataforma passa a refletir melhor a realidade das aplicações, permitindo maior controle sobre crescimento, custos e operação.


Escalabilidade: adicionar nós ou adicionar inteligência?
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Escalar um cluster não significa apenas adicionar recursos.

Significa garantir que o crescimento ocorra de forma controlada, previsível e adequada ao comportamento das aplicações.

Em muitos ambientes, a escalabilidade acontece de forma reativa: novos nós são adicionados sempre que há pressão de carga.

Essa abordagem resolve sintomas, mas não necessariamente a causa do problema.

Uma estratégia eficiente de escalabilidade começa antes do Cluster Autoscaler, com definição correta de requests, organização dos Node Pools e análise contínua de consumo.


Alta disponibilidade: projetando para falhas inevitáveis
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Ambientes de produção devem assumir que falhas acontecerão.

Nós podem ser reiniciados, atualizações podem ocorrer e zonas podem sofrer indisponibilidades.

A pergunta não é como evitar falhas, mas como o sistema se comporta quando elas acontecem.

Alta disponibilidade depende de múltiplos fatores: distribuição de réplicas, uso de zonas de disponibilidade, políticas de agendamento e capacidade de manter o serviço durante atualizações.

Não é uma configuração isolada, mas o resultado de decisões arquiteturais combinadas.


Observabilidade: decisões precisam de evidências
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Toda decisão arquitetural é, inicialmente, uma hipótese.

Sem observabilidade, não há como validar se essas hipóteses continuam válidas ao longo do tempo.

Métricas, logs e traces permitem entender o comportamento real da plataforma, identificar gargalos e ajustar decisões antes que elas se tornem problemas.

Uma arquitetura madura evolui com base em dados, não em suposições.

Arquitetura AKS com Node Pools e Observabilidade
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Eficiência: quando boas decisões reduzem custos naturalmente
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Eficiência não significa reduzir recursos indiscriminadamente.

Significa utilizar os recursos de forma adequada ao comportamento das aplicações.

Decisões como escolha de infraestrutura, organização de Node Pools, definição de requests e estratégia de escalabilidade impactam diretamente a utilização do cluster.

Custos elevados geralmente são consequência de decisões arquiteturais tomadas sem visibilidade adequada do comportamento dos workloads.


Aplicando os conceitos: um cenário corporativo
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Imagine uma organização iniciando a modernização de suas aplicações internas com AKS.

O ambiente deverá suportar dezenas de aplicações distribuídas entre APIs, serviços de integração e sistemas de negócio.

Algumas características são identificadas:

  • consumo predominante de memória;
  • catálogo de máquinas virtuais homologadas;
  • múltiplas equipes utilizando a plataforma;
  • requisitos de alta disponibilidade;
  • crescimento contínuo esperado.

Nesse cenário, a primeira decisão não seria criar o cluster, mas compreender o comportamento das aplicações e as restrições existentes.

A partir disso, a arquitetura seria construída progressivamente, refletindo essas decisões em infraestrutura, Node Pools, escalabilidade e observabilidade.


Conclusão
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O cluster parecia saudável.

Meses depois, aquele mesmo cluster continuava saudável.

Não porque nunca precisou crescer, mas porque sua arquitetura cresceu junto com ele.

Em ambientes de produção, não é o cluster que define a arquitetura. É a arquitetura que determina se o cluster continuará fazendo sentido ao longo do tempo.

Egly Corintima
Autor
Egly Corintima
Arquiteto de Soluções especializado em infraestrutura e cloud híbrida (Microsoft Azure e Oracle Cloud, certificações AZ-900 e OCI Foundations).